Olá!
Passados os primeiros dez dias de férias, quase
todos com diretas no corpo, estava a chegar a hora de partir para outro local
da nossa costa atlântica.
Neste dia de manhã, após limpar e arrumar todo o
material para organizar a partida do dia seguinte, digo para mim mesmo que a
última noite era para descansar. Uma noite inteira sem qualquer toque nem
captura, o mar um pouco mais levantado e o cansaço acumulado no corpo faziam-me
pensar assim. Estava decidido. “Hoje, NÃO HÁ PESCA”.
A meio da tarde toca o meu telemóvel. No outro lado
da linha, um amigo. Pescador viciado tanto ou mais do que eu. Talvez mais!
Decididamente mais!
Nas suas palavras, “vamos pescar hoje à noite?!”,
senti aquela vontade que nos corre nas veias e que nos faz fervilhar o sangue
quando estamos com o desejo exacerbado de apanhar um peixe. Evidentemente, não
o podia deixar pendurado. Tinha que lhe fazer companhia. “Ok, vamos a eles.”
Sinceramente, a vontade era nenhuma. Desligo o
telefone e comento com a família: “só vou à pesca para este desgraçado não ir
sozinho. Não me apetece nada…”
Às duas horas da manhã, hora combinada e possível da
partida, arrancamos para a praia. Qual praia? Não interessava. Uma qualquer.
Nem o local estava decidido.
Face às múltiplas hipóteses que se deparavam, propus
um spot onde quatro ou cinco dias antes tinha tirado um robalo com 2 kg.
Chegámos, montámos o material e zarpamos pela areia. Meia hora depois o
primeiro robalo foi ferrado por mim. Umas boas cabeçadas, o carreto a cantar
faziam pressentir um bom exemplar. Pouco depois os 2,800Kg já estavam aos meus
pés. Que saudades. Que loucura. E estava para não vir…
A noite animou. Mas animou mesmo. O que se passou a
seguir é indescritível. O prazer de sentir que o peixe estava lá e a colaborar fazia-nos
esquecer o cansaço e a perder a noção do tempo. A adrenalina era grande como
grande foi a pescaria. No final, entre peixe capturado, peixe não ferrado e
peixe libertado tínhamos feito onze peixes entre os 1,5kg e os 2,800kg.
Estava escrito que ia ser assim. Só podia estar. Não
há outra explicação.
Fiquem bem!